Secretaria da Cultura

go!
Cadastro para Jornalistas
Nome:
Email:
Veículo:
Função:
Endereço:
Cidade: Estado: Cep:
Telefone:
Cadastro para Jornalistas


Solicitação de cadastro enviada com sucesso!
Em breve faremos contato.
Memória | Depoimentos Públicos
Célia Gouvêa (1949)
Fotos: Leonardo Franco
Depoimento público gravado em 26 de maio de 2011, no Teatro Franco Zampari, em São Paulo. Figuras da Dança 2011
Havia muitas personalidades no grupo, cada uma querendo uma linha, uma mais poética outra mais política, e o Béjart certa vez falou: 'Vocês todos têm personalidades fortes e iriam ganhar muito mais se fossem cada um para um lado do mundo e desenvolvessem seu próprio caminho', e foi assim que eu decidi voltar para cá.
Eu ia para o Teatro Galpão de manhã e voltava só meia-noite, era minha segunda casa.
Antes nós tínhamos o teatro, talvez uma verbinha e aquele furor criativo de fazer três, quatro criações em um só ano, sem patrocínio. Hoje parece que não dá para fazer nada sem alguma lei de incentivo amparando.
Quando eu voltei para o Brasil, grávida, eu queria ancorar. Foi então que criei um grupo de dança estável. Pobre ilusão, nunca houve estabilidade.
Eu já trabalhei em condições ótimas e péssimas. Não sei se eu era muito jovem e romântica, mas o vinculo institucional representava uma coerção, então, onde eu não tinha um tostão para trabalhar eu tinha liberdade para fazer o que eu quisesse. Sempre tive essas contradições.
Eu não gosto de usar música como tapete para a dança, assim como dizia o Balanchine.
Eu chamo a criação de "decida ao inferno", porque não é um processo tranquilo, é conflitante.
Fazer teatro não é moleza. É preciso um mergulho profundo para dentro de si mesmo.
O Vaneau me perguntava como que depois de tanto tempo ainda saia tanta coisa da minha cabeça, e eu respondia que era como se fosse um balde, que vai se enchendo, se enchendo e você tem que jogar à água fora.
Eu estava a caminho do teatro, com aquela vergonha de chegar lá com duas crianças. Então enxergo uma placa em uma casa 'Cuida-se de crianças', pois eu parei, fui ver como era aquilo e pensei 'Acho que é confiável', e deixei as minhas filhas lá. Quando o Naum ficou sabendo me mandou ir buscá-las na mesma hora. E hoje estão todos crescidos, bem estruturados e seguindo seus caminhos. Não é nenhum drama, faz parte da vida da gente e os filhos se incorporam a isso.
Eu tinha um professor que dizia que o Béjart 'fez buracos no céu', essa expressão me acompanhou a vida inteira. Eu também quero fazer buracos no céu.
Eu quero fazer um elogio ao Figuras da Dança, a esse resgate que vocês estão efetuando, é absolutamente precioso para nós, para esse nosso país jovem que não tem tradição, não tem historia. É um grande mérito. Eu dou parabéns! Tiro o meu chapéu!
Rua Três Rios 363 | 1º andar| Bom Retiro
São Paulo | SP | CEP 01123-001
Tel: +55 11 3224-1380
REALIZAÇÃO:

Website desenvolvido por VAD